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A partir de hoje – não sei porquê, deu-me talvez uma coisinha má – podem sempre ver-me por aqui. Se não gostarem, uma alternativa: aqui. Deixo isso ao vosso humilde e acertado critério.

FIM

Este espaço acaba aqui. Não sabendo ao certo quanto tempo depois, fartei-me dele. Brevemente anunciarei um novo espaço. Quando encontrar a disposição que perdi algures pelo caminho. Diz-se que é do trabalho. Beijos e Abraços.

«O COMANDO É MEO»

“A linguagem das empresas é peculiar e visa o lucro.”

O mundo das telecomunicações é, sem dúvida, o grande e fluorescente negócio do século XXI. E para mim, digam o que disserem, principalmente em termos laborais, com a devida e inevitável evolução, tem muitas semelhanças com o grande negócio do século passado: a construção civil.

[Pode parecer uma afirmação um pouco descabida, mas faz todo o sentido.]

TRAPOS

Em época de fundamentalismo perigoso
sentes um feijão no cu. Por muito que não queiras,
esse mesmo feijão, que cresce como o do menino
que chegou às nuvens,
toma proporções tais, que ultrapassa
claramente o terreno desgastado
a que ainda hoje
chamas corpo. Decides entretanto
semear outras culturas,
um fonte segura para afastar a amargura.
Mas na verdade és um simples
espantalho, que não assusta veemente
os pássaros mais negros. Um indefeso
espantalho feito de trapos,
os mesmos trapos do costume.

“MOSCOW TMA”

MoscowTMA

Nick Walker

TRIDENT

De cada vez que tiro
uma pastilha elástica da boca,
bem mastigada, faço uma bolinha
com ela e penso na fenomenologia
do mundo. Há, tanto numa
como noutra, por mais
que masquemos, uma durabilidade
que nos ultrapassa. E tudo isto
só para não falar
da imagética de um cérebro.

Seria gajo
para foder a senhora
das notícias. A da
meteorologia também.
Aproveitaria, pois trabalham
na mesma estação, e foderia
a do programa da tarde. E
para não pensarem que sou
esquisito, ao seu companheiro
dar-lhe-ia com força,
até me rebentarem os colhões.
Tudo isto – certamente
compreenderão – porque
divertiram-se, enquanto viva,
a enganar a minha avó.

The Brooklyn Bridge In Bedroom

The Brooklyn Bridge In Bedroom, Abelardo Morell

A APNEIA E A MORAL

“O trabalho de um Mallarmé não é elitista. Tende a quebrar a ganga que nos envolve. A decifrar a linguagem, os seus sinais, os seus discursos e a tornar-nos assim menos surdos, menos cegos perante o que os poderes se esforçam por nos ocultar. Tende a dilatar o nosso espaço. A exercer, apurar, flexibilizar o pensamento, o único que permite a crítica e a lucidez, essas armas essenciais.”

Depois de ler este texto (a transcrição em cima é uma parte dele) cheguei, como sempre, a uma conclusão que tende principalmente a passar despercebida quando a cegueira religiosa pelas letras fala mais alto para que os burros baixem as orelhas – independentemente da classe social. Tudo se resume (não para desfazer mas para evidenciar o outro lado da medalha) a uma pergunta. Toda esta argumentação usada para descrever o poder das palavras (de Mallarmé) é suficiente para nos fazer acreditar que estas não são permeáveis a interpretações com finalidades duvidosas? Sinceramente não me parece. Se tivermos em conta que lucidez, flexibilização de pensamentos e crítica fazem parte do universo prático da política, e que essa é a pedra base despoletadora da configuração das sociedades, corremos o risco de perceber que nada, como se lê na transcrição, pode ser assim tão linear e singelo. A escrita, por muito que custe, é uma viatura demasiado perigosa; pode ser conduzida por qualquer leitor. Não compensa portanto, apesar de o livro em causa ser uma verdadeira preciosidade (aparentemente esgotada) seguir a via sacra da opinião absoluta. E não é preciso ir muito longe para perceber isso. Basta ler – e o homem em termos políticos era um tanto ou quanto duvidoso – O Banqueiro Anarquista, de Fernando Pessoa.

[Se alguém me souber dizer onde posso encontrar o livro em causa, de Vivianne Forrester, eu agradeço veemente.]

NÃO É PARA TI

Não estando satisfeito, pode experimentar o habitual e renovar-se.

Lao Tse

Contrario; não gosto do lema
poesia para todos. Nego e volto
a negar: a poesia
não é para todos. É sim
para alguns, para aqueles
que procuram ou anseiam
a derrota dos maiores
sonhadores; para mentes doentes
tão desfasadas do funcionamento
do mundo, que não sabem
tão pouco sonhar; para
o mero cidadão comum
que não aceita ter mais
do que todos os outros.

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