Este espaço acaba aqui. Não sabendo ao certo quanto tempo depois, fartei-me dele. Brevemente anunciarei um novo espaço. Quando encontrar a disposição que perdi algures pelo caminho. Diz-se que é do trabalho. Beijos e Abraços.
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“A linguagem das empresas é peculiar e visa o lucro.”
O mundo das telecomunicações é, sem dúvida, o grande e fluorescente negócio do século XXI. E para mim, digam o que disserem, principalmente em termos laborais, com a devida e inevitável evolução, tem muitas semelhanças com o grande negócio do século passado: a construção civil.
[Pode parecer uma afirmação um pouco descabida, mas faz todo o sentido.]
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Em época de fundamentalismo perigoso
sentes um feijão no cu. Por muito que não queiras,
esse mesmo feijão, que cresce como o do menino
que chegou às nuvens,
toma proporções tais, que ultrapassa
claramente o terreno desgastado
a que ainda hoje
chamas corpo. Decides entretanto
semear outras culturas,
um fonte segura para afastar a amargura.
Mas na verdade és um simples
espantalho, que não assusta veemente
os pássaros mais negros. Um indefeso
espantalho feito de trapos,
os mesmos trapos do costume.
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De cada vez que tiro
uma pastilha elástica da boca,
bem mastigada, faço uma bolinha
com ela e penso na fenomenologia
do mundo. Há, tanto numa
como noutra, por mais
que masquemos, uma durabilidade
que nos ultrapassa. E tudo isto
só para não falar
da imagética de um cérebro.
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Seria gajo
para foder a senhora
das notícias. A da
meteorologia também.
Aproveitaria, pois trabalham
na mesma estação, e foderia
a do programa da tarde. E
para não pensarem que sou
esquisito, ao seu companheiro
dar-lhe-ia com força,
até me rebentarem os colhões.
Tudo isto – certamente
compreenderão – porque
divertiram-se, enquanto viva,
a enganar a minha avó.
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The Brooklyn Bridge In Bedroom, Abelardo Morell
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Depois de ler este texto (a transcrição em cima é uma parte dele) cheguei, como sempre, a uma conclusão que tende principalmente a passar despercebida quando a cegueira religiosa pelas letras fala mais alto para que os burros baixem as orelhas – independentemente da classe social. Tudo se resume (não para desfazer mas para evidenciar o outro lado da medalha) a uma pergunta. Toda esta argumentação usada para descrever o poder das palavras (de Mallarmé) é suficiente para nos fazer acreditar que estas não são permeáveis a interpretações com finalidades duvidosas? Sinceramente não me parece. Se tivermos em conta que lucidez, flexibilização de pensamentos e crítica fazem parte do universo prático da política, e que essa é a pedra base despoletadora da configuração das sociedades, corremos o risco de perceber que nada, como se lê na transcrição, pode ser assim tão linear e singelo. A escrita, por muito que custe, é uma viatura demasiado perigosa; pode ser conduzida por qualquer leitor. Não compensa portanto, apesar de o livro em causa ser uma verdadeira preciosidade (aparentemente esgotada) seguir a via sacra da opinião absoluta. E não é preciso ir muito longe para perceber isso. Basta ler – e o homem em termos políticos era um tanto ou quanto duvidoso – O Banqueiro Anarquista, de Fernando Pessoa.
[Se alguém me souber dizer onde posso encontrar o livro em causa, de Vivianne Forrester, eu agradeço veemente.]
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Não estando satisfeito, pode experimentar o habitual e renovar-se.
Lao Tse
Contrario; não gosto do lema
poesia para todos. Nego e volto
a negar: a poesia
não é para todos. É sim
para alguns, para aqueles
que procuram ou anseiam
a derrota dos maiores
sonhadores; para mentes doentes
tão desfasadas do funcionamento
do mundo, que não sabem
tão pouco sonhar; para
o mero cidadão comum
que não aceita ter mais
do que todos os outros.
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